Teatro Municipal Severino Cabral
Campina Grande, 07/09/2010

Institucional


Geraldino Pereira Duda: Artista de Traços Contemporâneos


Um artista que não se dedicou à música, ao teatro ou a literatura, mas que conquistou o respeito de toda a classe artística campinense por idealizar o projeto do que viria a ser o principal palco para a realização de espetáculos culturais da Paraíba: O Teatro Municipal Severino Cabral.

Engenheiro civil por formação, mas arquiteto por vocação, Geraldino Pereira, conhecido na sociedade campinense como Duda, foi o responsável pelo desenvolvimento do projeto arquitetônico do que viria a ser em 30 de novembro de 1963 o Teatro Municipal de Campina Grande. Obra de traços contemporâneos para a Campina Grande da década de 60, mas que foi entendido como um divisor de águas para a arquitetura que até então era predominante na cidade, ou seja, uma paisagem urbana onde as construções caracterizavam-se por possuir um traço simples, uma arquitetura que não primava pela criatividade em suas formas.

Definindo-se como um idealista, ele afirma que quando começa a colocar no papel as primeiras idéias de um futuro projeto, não pensa nos benefícios imediatos que a obra poderá trazer para a sociedade, mas sim o que pode advir de positivo 40 ou 50 anos depois, assim foi com o projeto que concebeu para o TMSC, e completa: "No início as pessoas não entendiam a magnitude da obra, achavam que a cidade não comportaria uma casa de espetáculos daquele tamanho, tanto que, nos primeiros anos o teatro era chamado pela população de 'elefante branco', mas hoje vejo que fiz bem em não ceder aos apelos dos que pediam para que o projeto fosse reduzido".

A criação de um teatro era uma antiga reivindicação do povo campinense, pois naquela época os espetáculos artísticos eram realizados nos cinemas Babilônia e Capitólio, os chamados cine teatros. O prefeito Severino Cabral, mesmo não possuindo o conhecimento acadêmico, era um amante das artes e tomou para si no ano de 1961 a missão de dar a Campina Grande uma casa de espetáculos condizente com a sua posição vanguardista diante das demais cidades da região.

O convite para que ele assinasse o projeto do futuro teatro foi feito pelo então presidente do Departamento de Urbanismo (DPU) - órgão criado pelo prefeito Severino Cabral - Austio França Costa, onde ele exercia a função de assistente técnico, incumbido da área de arquitetura.

Os primeiros rascunhos tinham o propósito de construir o teatro no centro do terreno, mas como afirma o engenheiro, o que define a forma de uma obra é a morfologia do terreno, e o espaço onde está localizado o TMSC apresentava-se inclinado e triangular, o teatro foi puxado para o vértice e de frente para a cidade. "Depois de traçada a planta baixa o arquiteto procura dar forma ao projeto, e como o terreno era triangular, ele veio afinando e com isso veio a idéia se fazer um instrumento musical, pois no teatro existe música, e música inspira arte, daí um bico de flauta e um apito ao mesmo tempo", relembra seu Duda os primeiros passos que definiram a controversa forma do TMSC. Ele informa que o calculista da responsável pela obra foi o professor Linaldo Cavalcanti de Albuquerque, que depois viria a se tornar reitor da Universidade Federal da Paraíba. A construtora que executou a obra foi a G. Jijoia, uma das construtoras mais importantes da época em atuação no Estado.

Um dos grandes orgulhos de seu Geraldino é de ter sido, segundo relatos de amigos e professores, o único homem paraibano a colar grau em um prédio que projetou. Quando concluiu o curso de engenharia civil, na década de 80, pela Universidade Federal da Paraíba - depois de passar pelos bancos das faculdades de engenharia química e operacional. a cerimônia de colação de grau foi realizada no Teatro Municipal - que já completava 17 anos de sua inauguração.

Seu Geraldino guarda uma profunda admiração pelo trabalho do arquiteto Oscar Niemayer, gênio da arquitetura brasileira, que entre outros projetos importantes concebeu os prédios de linhas arrojadas que marcaram o cenário de Brasília. "Na década de 60 tive a oportunidade de conhecer Oscar Niemayer, e fiquei encantado com a sua simplicidade. Depois desse encontro me tornei ainda mais fã se sua pessoa e do seu brilhante trabalho", rememora seu Duda.

Em seu extenso currículo profissional figuram obras importantes para a cidade como a Igreja de Nossa Senhora da Guia, a Escola da Jovem, a reforma realizada na década de 60 no Cine Babilônia - que transformou o local como em das mais modernas salas de projeção da época, e um sem número de residências de figuras políticas e empresariais de destaque na sociedade local. Seu traço sinuoso se destacou ainda em projetos importantes nos estados do Rio Grande do Norte, Alagoas, Ceará e São Paulo.

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