Severino Lopes // severinolopes.pb@dabr.com.br
Os 46 anos do Teatro Municipal Severino Cabral, celebrados ontem, não poderiam ter sido melhor: com artistas no palco. Como o teatro está de portas fechadas por conta de uma ampla reforma que será feita, as apresentações aconteceram no mini teatro Paulo Pontes, ao lado do prédio principal. Os primeiros artistas a brindarem com arte o Teatro Municipal foram os integrantes da Companhia Bodobitá Playback Theather. Criada há um ano e meio, a companhia fez uma apresentação de teatro do improviso, intitulada Momentos marcantes, e foi encenada a partir de histórias contadas pela plateia.
Por ser um dia especial, a companhia se apresentou para um público restrito. A plateia foi formada apenas por funcionários do teatro. E mais uma vez, a Bodobitá deu um show de improviso. No espetacúlo, dirigido por Francisco Oliveira, os atores se reversaram no palco, transformando em arte histórias nascidas dos espectadores. As cenas foram curtas. Em média, cada cena dura entre um e três minutos. Durante o espetáculo de uma hora e meia foram criadas várias histórias a partir da interação dos atores com a platéia, e criada três cenas longas.
O grupo tem todo um ritual antes de entrar em ação. Os atores Luciano Edgley, Napoleão Gutemberg, Sérgio Simplício, Ana Maria Barros, Regina Albuquerque e Adriano Firme se aqueceram no palco. Ouvindo a voz do diretor, eles se movimentaram de um lado para o outro. O aquecimento exige muito do corpo que criam um espaço fictícios. Após o aquecimento, os atores entraram em cena. Com grande poder de criatividade, eles reproduziram no palco a sensação de nervorismo e ansiedade de um membro da plateia.
No espetáculo de improviso, o público que foi ao teatro virou personagem, incorporado pelos atores. Em outra cena, o Bodobitá reproduziram ainda a sensação de estresse e agitação da repórter da TV Borborema, Jaqueline Filipe.
A programação dos 46 anos do Teatro Municipal teve prosseguimento à noite. Às 19h, num palco armado na parte externa do Severino Cabral,aconteceu a apresentação do Balé do Teatro Municipal, com fragmentos do espetáculo Estações. Às 20h, aconteceu a encenação da peça Fogo fátuo, da dramaturga Lourdes Ramalho, com direção de Francisco Oliveira e produção do Teatro Municipal. O teatro foi construído pelo prefeito Severino Bezerra Cabral e inaugurado no dia 30 de novembro de 1963.
Reforma deve modernizar espaço
No aniversário de 46 anos, o Teatro Municipal Severino Cabral amanheceu como artista sonhando com novo tempo. Com as portas fechadas desde janeiro, sem artistas e plateia, luzes apagadas e cortinas fechadas, o teatro espera a hora em que voltará a ser palco de grande espetáculos. A diretora do Municipal, Alana Fernandes, comparou a casa de espetáculo a um artista que dorme o sono do justo para acordar daqui a seis meses mais belo, mais imponente e mais majestoso.
Alana Fernandes disse que mesmo estando com as portas fechadas, o teatro tem muito a comemorar. Afinal, em mais de quatro décadas, segundo Alana, o teatro viveu muitos momentos glorisoso e emocionantes. "Muitos espetáculos já passaram por aqui. O teatro é esse templo da cultura de Campina Grande", disse. O maior presente que o Municipal recebeu este ano, conforme enfatizou a diretora, foi a assinatura da ordem de serviço por parte do prefeito Veneziano Vital do Rêgo que permitirá uma ampla reforma que tornará a casa de espetáculo mais moderna. "O melhor presente que ele poderia ganhar foi a sua reforma, esperada por décadas pela classe artística e cultural", observou.
Nesse tempo em que o teatro ficou com as portas fechadas, a saudade tomou conta dos artistas. Alana contou que este ano, por conta da interdição do Municipal, a produção cultural escoou para outros espaços que não tem a adequação desejada para os espetáculos.
A diretora reconheceu que o Teatro Municipal está fazendo muita falta em Campina Grande. Ela ressaltou que o secretário de Educação e Cultura, Flávio Romero, decidiu fechar o teatro em janeiro deste ano porque viu que a casa de espetáculo não tinha mais condições de atender a sua demanda com dignidade. (SL)
Fonte: Diário da Borborema - 01/12/2009